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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Só de Sacanagem


Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e
dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva
o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu
irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final!


Composição: Elisa Lucinda

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

I Seminário Regional sobre AIDS e Políticas Públicas Infanto - juvenis

I Seminário Regional sobre AIDS e Políticas Públicas Infanto - juvenis

Salvador – Bahia / Agosto - 2010





O I Seminário Regional sobre AIDS e Políticas Públicas Infanto - juvenis foi emocionante com o objetivo de reunir atores de diversos segmentos da sociedade para reflexão e escuta mútua a respeito da construção, implementação e execução das políticas públicas que se dirigem ao público infanto-juvenil no nordeste, e com uma programação super interessante, o seminário veio discutir e dialoga o Estatuto da Criança e do Adolescente – Família, Sociedade e Estado: elos e competências; Política Nacional das Casas de Apoio para a população infanto-juvenil; Direito à Saúde e Políticas Públicas voltadas para a Infância e Juventude vivendo com HIV/Aids. A AIDS é uma doença contagiosa causada por um vírus chamado – Vírus da Imunodeficiência Humana – HIV. Também chamado vírus da AIDS, ele penetra no corpo humano por vias bem definidas e ataca as células importantes que fazem parte do sistema de defesa do nosso organismo. Enfraquecido o organismo, a pessoa fica sujeita à doenças graves, as chamadas doenças oportunistas que têm esse nome exatamente porque se aproveitam desse enfraquecimento. Mas, nem todas as pessoas infectadas com o vírus desenvolvem a doença. Mesmo assim, podem transmiti-lo para outras. A pessoa portadora do vírus é também conhecida por soropositivo.


Entretanto a prevenção é fundamental para o controle da epidemia da Aids que considera que o uso do preservativo é um meio eficaz de proteção. Entretanto compreende que essa prática de proteção está inserida na complexidade das relações sexuais, das sexualidades dentro de um contexto social, cultural no qual a vivência das diferentes práticas está permeada de valores e percepções distintas de mundo. Portanto,o grade desafio porta-se às questões relacionadas à qualidade de vida dos jovens: emprego, pobreza, violência e os contextos de vulnerabilidade. Assim a Aids e a epidemia do século XXI.




Porém como toda importância do seminário os diálogos feitos ao longo dos três dias, foram de extrema importância, para identificar que a juventude precisa ser ouvida e que tantos os jovens vivendo com HIV/Aids, convivendo com HIV/Aids entre outros lutam pelo avanço de políticas públicas efetivas que possam proporcionar a esses jovens uma vida com dignidade, assim o encontro se fez. Mas pra mim o seminário proporciono momentos emocionante, das quais estarão sempres presentes na minha vida, uma delas foi fazer amigos independente da soropositividade e se sentir protegida, se sentir parte deles em uma troca de amor que não exigir nada em troca, assim foi as amizades feitas é nas amizades se aprende errando que crescer não significa fazer aniversário, que o silencio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem e quando penso saber tudo, descubro que os verdadeiros amigos sempre ficam e amar não significa se dar por inteiro, pois um só dia pode ser mais importante que muitos anos. Assim existem pessoas nas nossas vidas que nos vazem felizes pela simples casualidade de terem cruzado o nosso caminho, algumas percorrem o caminho a nosso lado, vendo muitas luas passar, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. E o destino apresentamos a outros amigos, os quais não sabiam os que iriam cruzar-se no nosso caminho, muitos deles chamamos-lhes amigos da alma, do coração, são sinceros, são verdadeiros, sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz. Mas o que mim deixa mais feliz, é que continuaremos junto, alimentando a nossa amizade com alegria e recordações de momentos maravilhosos de quando nossos caminhos se cruzaram.

Hoje entendo, porque cada pessoa que passa na nossa vida é única independente de classe, cor, raça, sexo, etnia, soropositividade, opção sexual e etc... estas pessoas sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Porém haverá os que levam muito, mas não haverá os que não nos deixam nada. E esta é a maior responsabilidade da nossa vida e a prova evidente de que as almas não se encontram por casualidade."





Juliana Silva

terça-feira, 15 de junho de 2010

I FESTIVAL DA JUVENTUDE


O I Festival das Juventudes em Fortaleza – América Latina e as lutas juvenis, foi um sucesso, com a participação de quase todos os estados o Nordeste se destaco e se fez presente com grupos feministas, LGBT, campesinos, culturais e outros. O festival teve cerca de 140 atividades, entre oficinas, seminários, debates e shows, o festival proporciono plenárias das mas diversificada discussões de segmentos múltiplos, mas de uma bandeira de lutar em comum chamada JUVENTUDE.

Porém diante de tantas discussões decide foca nos debates LGBTs e juventudes e participação política.


A discussão LGBT se da por respeito e direitos iguais pra Lésbicas, Gays, Bissexuais e transsexuais (LGBT).
Com pouco a comemorar e muito a lutar muitos falam dos setores religiosos fundamentalistas que estão na política e que certamente condenaria o movimento LGBT à fogueira. Assim o Brasil segue sendo recordista mundial de assassinatos a homossexuais.
O movimento LGBT precisa manter independência dos governos de plantão que só se aproxima por oportunismo eleitoral.
Mas se o governo não são aliados, tampouco são os empresários do mercado pink, que transforma as lutas do movimento em carnavais e tenta lucra, o movimento não busca a cidadania de consumo, LGBTs busca dignidade, trabalho e igualdade de direito. Por isso o movimento exige igualdade de direitos de fato e a criminalização da homofobia, mesmo sabendo que uma legislação contra a discriminação não será suficiente para resolver os problemas.
Assim o movimento entende que o único caminho para enfrentar o preconceito e conquistar a igualdade pois no arco-íris tem o vermelho das lutas e do desejo de justiça.


Na discussão de juventude o se olha no espelho busco refletir que a juventude brasileira já foi protagonista de muitas lutas históricas, a partir da década de 60, escrevendo um importante papel na redemocratização do Brasil. Tais como em 1984, na campanha pelas “Diretas-Já”, novamente lá estavam os jovens na rua pedindo eleições diretas para Presidente da República. A participação inesquecível dos “caras-pintadas”, em 1992, foi fundamental no impeachment do então presidente Collor.
No entanto os movimentos culturais da juventude andava de mãos dadas com a política, mostrando através das artes o engajamento político dos jovens. Porém no meu reflexo, olhando pro hoje confesso estar muito preocupada com a falta de motivação e entusiasmo político que se abate sobre a juventude.
Estamos mais pobres culturalmente, também. Enquanto outrora a orientação de um Cazuza “ideologia, eu quero uma pra viver!”, hoje o grito de guerra que chega é: Tô nem aí...!”. E tome alienação!
A indiferença da juventude em relação aos acontecimentos políticos poderá agravar os problemas que já temos, como falta de universidades, de emprego e oportunidade.
Estar na hora de acabamos com o EU ACHO ? E ir alutar a falta de uma escuta ativa e qualificada, por parte do poder público e de outras instituições nos leva a uma organização muito complexa, onde somente através dos movimentos sociais, estudantis e políticos nos jovens conseguimos falar. Por tanto precisamos nos mobiliza pra mudar isso e escolher os nossos representantes com consiência. Assim o festival se fez com agustias e alegrias de uma juventude que busca efetivação de verdadeiras políticas públicas de, com e para juventude e não politicas emegências.



J. Silva

quinta-feira, 10 de junho de 2010

MACHA NACIONAL CONTRA HOMOFOBIA






1ª macha Nacional contra Homofobia

Conograma da Macha
A macha nacional contra homofobia foi muito, mas que festa foi um processo político de muita lutar e principalmente a busca por dia melhores. Com uma programação que começou no  domingo (16), com reuniões e debates. Na segunda-feira (17), foi realizado um seminário na Universidade de Brasília, intitulado "Fora do Armário", onde tivemos no encerramento do seminário cortejo dentro da universidade , na terça-feira (18), no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, onde foi apresentado o projeto da lei contra homofobia, debate com os participantes do seminário . No dia (19) foi realizada A marcha que teve encerramento no Congresso Nacional.
Depoimento
O brasil está começando a avança no quesito homofobi. recentemente, pela primeira vez o nosso país busca uma iniciativa de favorecer o público LGBT, este históricamente marginalizado.
A importância desse evento resulta na implatação de medidas que visam retardar o crescente número de atos violentos contra homossexuais. a prioridade é a implantar a lei PL 122/06 que caracteriza como crime todo e qualquer tentativa hostensiva contra a comunidade gay, nessa magia margia, pessoas do Brasil todo reuniram em direção á capital federal, no intuito de impursionar aprovação dessa lei.Na caminhada um misto de pessoas de todo o país fizeram uma corente para propagar o discurso da diversidade sexual.





O Resultado não poderia ser outro, ou seja,uma grande alegria, respeito e amor , características que marcam a comunidade lgbt.desta forma, para nós foi de extrema importância participar de um evento como este, pois mostra a força que os gays representam para a sociedade.
Não adianta , portanto, ignorar a existência dos gays na nossa sociedade.As pessoas devem entender que a orientação sexual não qualifica niguém como melhor ou pior. Por isso , no momento como esse só ratificam a grandiosidade do amor pregado por um grupo que clama apenas por uma coisa: RESPEITO.


Participantes da Macha : Joel Francisco,Juliana Silva,Adriely Duarte.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Bronca Pesada segue na justiça


Bronca Pesada segue na justiça

No último dia 07 de maio, foi realizada a primeira audiência judicial de conciliação movida pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra o programa policial da TV Jornal, “Bronca Pesada”, por violar direitos humanos de crianças e adolescentes.

Em 2006 entidades que integram o Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom), entre elas Sinos, Gajop, Centro de Cultura Luiz Freire, Auçuba e o Movimento Nacional de Direitos Humanos, realizaram audiência pública com representantes da emissora de TV do grupo Jornal do Commercio. Contudo, após recorrentes violações aos direitos humanos na mídia e nenhuma sinalização de mudança no programa apresentado pelo âncora Joslei Cardinot, as entidades entraram com uma representação junto ao Ministério Público Federal e Estadual.

Em 2007 o MPPE impetrou ação civil pública contra o programa. Ao todo, foram observadas 11 denúncias no Bronca Pesada, cuja qualidade de conteúdo e a inadequação do horário ( exibido diariamente às 7h e às 12h25) continuam ainda alvo de discussão. A lista de violações pode ser acessada pelohttp://www.eticanatv.org.br/index.php?sec=2&cat=6&pg=2. A página também traz o conjunto das legislações que o programa ataca.

Legislações

Além de abusar de sensacionalismo, entre as queixas avaliadas após denúncias de telespectadores, estão: o incentivo à violência e uso de termos de baixo calão, a exibição de cenas de corpos sangrentos e pessoas mortas, veiculação de cenas de nudez, violência, palavrões, tratamento preconceituoso, homofobia, entre outras.

De acordo com a jornalista Aline Lucena, da organização não governamental Sinos, o programa fere diversos direitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). E, não pára por aí. O Bronca Pesada é acusado de contrariar legislações internacionais e pactos dos quais o Brasil é signatário. Um deles é o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, de 1966, em sua terceira parte , artigo 17º: “Ninguém será objeto de intervenções arbitrárias ou ilegais na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem de atentados ilegais à sua honra e à sua reputação”.

No estatuo da Criança e do Adolescente, a jornalista pontua o Artigo 18, do capítulo II, que fala Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade : “ É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

“Que cuidado a TV está tendo com as crianças quando vemos constantes violações?”, questiona a representante da Sinos.

Acordo

Segundo Rosa Carvalheira, promotora de Justiça da Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do MPPE, dois programas foram acusados de violação aos Direitos Humanos: o humorístico “Papeiro da Cinderela” e o policial “Bronca Pesada” . Na tentativa de conciliação foi escolhido um deles para que se chegasse a um acordo. Broca Pesada foi priorizado pelo acúmulo e freqüência à violações.

“A proposta do Ministério Público é que a TV Jornal veicule, no lugar do Bronca Pesada, por 20 dias, programas produzidos por entidades da sociedade civil, voltados à promoção dos direitos humanos. A TV também arcaria com os custos dessas produções”, afirma a promotora.

Segundo a representante do MPPE, um pedido de 60 programas e indenização por danos morais coletivos foi feito na petição inicial. Na audiência de tentativa de conciliação, ocorrida na quinta passada, a proposta do Ministério Público foi de veiculação por 20 dias de programa.

De acordo com Carvalheira, a iniciativa funcionaria como contra-propaganda , espécie de ‘direito de resposta’ para reparação pelos danos decorrentes das violações cometidas.

O advogado da TV Jornal, Aurélio Boa Viagem, pediu 15 dias para se manifestar a respeito da proposta. “Se as partes não chegarem a um acordo, a causa deverá seguir na justiça”, diz a representante do Ministério Público.

O Bronca Pesada passou a figurar na quinta posição da mais recente compilação do ‘ranking da baixaria’ na TV, elaborado a cada quatro meses pela Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados, a partir de denúncias de telespectadores. O ranking faz parte da Campanha “Quem Financia a baixaria é contra a Cidadania”, realizada desde 2002.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Carta




Recife, 17 de abril de 2010



Hoje por meio desta carta informo minha saída do CCJ, quero coloca que minha saída se dar por vários motivos tanto pessoais quanto profissional.

Tenho claro que o CCJ contribuiu muito pra minha vida, mas acredito te contribuído muito pra o crescimento do mesmo, sei que não faltaram os grandes obstáculos. Freqüentes foram às cercas, ajudando a transpor abismos, as subidas e descidas foram realidade sempre presente.

No CCJ passei alguns dos melhores momentos de minha vida, fiz amigos, muitos dos quais, me acompanharão para sempre. Por isso tenho que comemorar!
Esse é um momento especial! É hora de olhar para trás e ver por tudo o que já passei. Sem dúvida, muitas tristezas e conflitos, mas, felizmente, por inúmeros bons momentos, de alegria, de vitórias e de cumplicidade. Devo esquecer aqueles que me impuseram obstáculos infundados e agradecer àqueles que me impulsionaram adiante. É hora, mais do que nunca, de valorizar as amizades e os conhecimentos adquiridos aqui.

Chegou o momento de seguir viagem sozinha na busca de novos horizontes. Por tanto que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para eu alcançar a alegria de chegar ao destino projetado.
Hoje agradeço àqueles que, mesmo de fora, mas sempre presentes, mim apoiaram nos bons e nos maus momentos.
Mas uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.



Atenciosamente,



Juliana Silva

terça-feira, 13 de abril de 2010

Um tucano, um lobo, um cordeiro ou um blefe?


Um tucano, um lobo, um cordeiro ou um blefe?


A mídia conservadora bateu bumbo nos últimos dias na tentativa de tornar o lançamento oficial da candidatura de José Serra pela coalizão demotucana um fato político novo no cenário nacional. Notável, sobretudo, o esforço de pintá-lo com as cores de um 'progressismo palatável'; adepto da 'indução estatal sem Estado forte', seja lá o que isso significa. Um verdadeiro bambolê ideológico. Tudo para conciliar a imagem de um candidato oferecido pelo marketing como 'popular' --ancorado na história passada de presidente da UNE-- mas cercado ao mesmo tempo de um núcleo de campanha derivado da cepa mais reacionária da política nativa, do qual constam nomes como os de José Agripino, Paulo Bornhausen, Arthur Virgílio, José Carlos Aleluia entre outros.


O malabarismo é típico de quem quer engrossar o glacê da narrativa para ocultar o azedo do recheio. A verdade é que não importa o que Serra diz que pensa em seu discurso de candidato oficial; não importa o que seus amigos pensam que ele pensa; objetivamente, a candidatura Serra lançada em Brasília neste sábado representa o estuário do que há de pior no conservadorismo brasileiro. Um verdadeiro cavalo-de-tróia pintado com palavras de um difuso 'progressismo' para edulcorar o verdadeiro projeto por trás das rédeas: derrotar o avanço popular obtido a duras penas com o governo Lula nos últimos anos, mas sobretudo agora no segundo mandato; trazer a direita de volta ao comando do Estado brasileiro [de onde nunca saiu, mas perdeu a hegemonia absoluta da era FHC]. E, estrategicamente, impedir que a continuidade desse processo, representada por Dilma Rousseff, possa aprofundar a democracia social no país. Serra reúne os ingredientes para essa investida ainda que não seja o candidato ideal da direita por seu ''desenvolvimentista de boca', como diz Maria da Conceição Tavares.

O alardeado 'progressismo desenvolvimentista', na verdade, resume-se à prática de um fiscalismo autoritário que se harmoniza com a sua outra face, esta sim, muito apreciada pela coalizão que o apoio: o arraigado anti-sindicalismo; a aversão doentia à negociação com os movimentos populares que cobram a democratização efetiva do poder, que passa necessariamente pela maior participação nas decisões sobre onde, como e quando investir os fundos públicos. Por exemplo, quanto investir na remuneração de funcionários públicos que prestam serviços essenciais à população?

O menosprezo serrista a essa lógica ficou mais uma vez evidenciado na recente greve de um mês dos professores da rede pública do Estado de São Paulo. Há cinco anos sem correção salarial, com quase a metade dos contratos de trabalhos em regime precário eles não foram sequer recebidos em audiência para uma negociação trabalhista trivial.

'Lobos em pele de cordeiro', disse-o bem a candidata do PT esta semana sobre a dança dissimulada de discursos e projetos adotada como enredo de campanha pela coalizão demotucana. Um historiador não alinhado ao PT, Luiz Felipe de Alencastro, em entrevista ao jornal Valor Econômico da última sexta-feira, cuidou de dar a essa metáfora sua explicitação sintética ao perguntar e explicar por que, em sua opinião, Serra tem tudo para ser um blefe.

A seguir leia trechos da entrevista do professor da cadeira de História do Brasil na Sorbonne ao Valor de 09-03:

"....Até a oposição compartilha desse otimismo [com o Brasil]. Dentro e fora do país há um consenso favorável sobre a economia brasileira, sobretudo com a entrada da China no mercado mundial, com uma forte demanda por matérias-primas. O lado negativo é que o comércio externo fica parecido com o que era no século XIX. Há um risco nessa divisão internacional do trabalho que vai se criando, em que o Brasil vira exportador de matérias-primas novamente.

"...O que me assusta é a ideia de ter Michel Temer como vice-presidente. Ele é deputado há décadas e foi presidente da Câmara duas vezes. Controla a máquina do PMDB e o Congresso à perfeição. Vai compor chapa com uma candidata que nunca teve mandato e é novata no PT. O presidencialismo pressupõe um vice discreto,

"...o problema dele [do Serra] é esse: com a expectativa em torno de seu nome, ele vai fazer o quê no governo? A própria Fiesp, que mais ela quer, senão seguir com a política de Lula? E os banqueiros, que se entopem de dinheiro? Sem contar os 26 milhões de pessoas que subiram na escala social. Não dá para saber o que Serra vai fazer. Não pode entrar com o discurso de acabar com a corrupção, porque isso não dá muito refresco e depende mais da Justiça, dos tribunais de contas.

"...Os dois mandatos de Lula criaram algo novo. O cientista político André Singer mostra [em artigo para a revista "Novos Estudos"] que Lula foi eleito no primeiro mandato pelos operários sindicalizados e pela classe média. No segundo, perdeu uma parte da classe média e ganhou entre trabalhadores não organizados e subempregados, graças aos programas sociais. Isso resultou num novo populismo. Segundo Singer, esse eleitorado é conservador, não quer mudanças, quer que o governo tome conta dele. Acho essa interpretação um pouco estática, porque pressupõe que a ascensão social desse subproletariado não incomoda ninguém, e que a ameaça de perder o que ganhou não o levará a uma politização ativa.

"... É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura: os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família. Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos. O discurso de gente como o senador Demóstenes Torres no DEM [contra o sistema de cotas raciais nas universidades públicas] indica uma guinada à direita da direita parecida com a dos republicanos nos Estados Unidos. Lá, esse extremismo empolgou o partido inteiro e pode desestabilizar o país. A falta de perspectiva da oposição cria um vácuo para o radicalismo.

"...O problema é que, a princípio, Serra não é o candidato que a direita gostaria de ter. Ele é um democrata com trânsito numa parte da esquerda. Também é meio estatizante, adepto de uma política tarifária protecionista e por aí vai. Não é a mesma direita de Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado ou mesmo Geraldo Alckmin...

"...Serra está confrontado a um impasse. Não pode elogiar Fernando Henrique e não pode atacar Lula. Que candidato ele pode ser? Qual é seu terreno? Ele pode ser um blefe nesse sentido. Na campanha, vai ter de prometer continuidade para os programas do PT. Quando Sérgio Guerra disse que o PSDB faria tudo diferente, foi um desastre. Disse que ia mexer no câmbio e nos juros. Falou disparates e levou um cala-boca do partido.



O artigo é de Saul Leblon.
Carta Maior