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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

INJUSTIÇA


Injustiça
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No dia 23 de outubro de 2009, por volta de meio dia, Danilo, 20 anos, jovem liderança da União dos Moradores do Bairro Canindezinho - UMBC a mais de cinco anos, integrante do Bomjart, envolvido com as atividades de grafite, de inclusão digital, Projeto mais Educação no Grande Bom Jardim, foi assassinado violentamente, vítima da realidade de extermínio das juventudes que temos vivenciado DIARIAMENTE em nossas comundiades.
Ele saía de um evento que tinha ajudado a organizar pela manhã e ia chamar os amigos para jogar vôlei, como era de costume, quando um carro parou e uns caras começaram a atirar, foram 14 tiros. Muitas balas tomaram o corpo de Danilo, que ao chegar no hospital não resistiu. Segundo o que contam, ele teria sido morto "por engano", confundido com outro jovem, que logo depois foi morto também, pois quando os atiradores souberam que haviam matado o "jovem errado", voltaram e mataram o "jovem certo". Para o sistema, apenas mais um número que entra nos dados estatísticos. Para nós, mas um amigo assassinado injustamente.



Danilo Pinheiro de Araújo

8 de fevereiro de 1989

23 de outubro de 2009


Já que eu sou imperfeito e preciso da tolerância e da bondade dos demais, também tenho de tolerar os defeitos do mundo até que possa encontrar o segredo que me permita remediá-lo (...)mais um sonhador que se vai (...) numa civilização que pode ser julgada pela forma com que trata seus animais. Ghandi



Postado por Júnior Santos

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Semana de Direito Humano do Recife


Recife
30/out - 05/nov
30/10 - sextaCinema da Fundação Joaquim Nabuco20h – Sessão de AberturaHISTÓRIAS DE DIREITOS HUMANOS – vários diretores (diversos países, 84 min, 2008, doc/fic)Classificação indicativa: 16 anos
31/10 - sábadoCinema da Fundação Joaquim Nabuco14hCORUMBIARA - Vincent Carelli (Brasil, 117 min, 2009, doc)Classificação indicativa: livre16hHISTÓRIAS DE DIREITOS HUMANOS – vários diretores (diversos países, 84 min, 2008, doc/fic)Classificação indicativa: 16 anos18hO CAVALEIRO NEGRO - Ulf Hultberg, Åsa Faringer (Suécia / México / Dinamarca, 95min, 2007, fic)Classificação indicativa: 14 anos20hUNIDADE 25 - Alejo Hojiman (Argentina / Espanha, 90 min, 2008, doc)COCAIS, A CIDADE REINVENTADA - Inês Cardoso (Brasil, 15 min, 2008, doc)Classificação indicativa: 16 anos
01/11 - domingoCinema da Fundação Joaquim Nabuco14hTRAGO COMIGO – Parte 1 (capítulos 1 e 2) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)Classificação indicativa: 16 anos16hTRAGO COMIGO – Parte 2 (capítulos 3 e 4) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)Classificação indicativa: 16 anos18hBAGATELA – A NECESSIDADE TEM CARA DE CACHORRO - Jorge Caballero (Colômbia / Espanha, 74 min, 2008, doc)MENINO ARANHA - Mariana Lacerda (Brasil, 13 min, 2008, doc)MENINOS - Gonzalo Rodríguez Fábregas (Uruguai, 14 min, 2008, doc)Classificação indicativa: 12 anos 20hENTRE A LUZ E A SOMBRA - Luciana Burlamaqui (Brasil, 150 min, 2007, doc)Classificação indicativa: 16 anos
02/11 - segundaCinema da Fundação Joaquim Nabuco14hMOKOI TEKOÁ PETEI JEGUATÁ – DUAS ALDEIAS, UMA CAMINHADA - Arial Duarte Ortega, Germano Beñites, Jorge Morinico (Brasil, 63 min, 2008, doc)DE VOLTA À TERRA BOA - Mari Corrêa, Vincent Carelli (Brasil, 21 min, 2008, doc)PRÎARA JÕ, DEPOIS DO OVO, A GUERRA - Komoi Paraná (Brasil, 15 min, 2008, doc)Classificação indicativa: livre16hNUNCA MAIS!!! COCHABAMBA, 11 DE JANEIRO DE 2007 - Roberto Alem (Bolívia, 52 min, 2007, doc)DAYUMA NUNCA MAIS - Roberto Aguirre Andrade (Equador, 30 min, 2008, doc)Classificação indicativa: livre18hSENTIDOS À FLOR DA PELE - Evaldo Mocarzel (Brasil, 80 min, 2008, doc)PUGILE - Danilo Solferini (Brasil, 21 min, 2007, fic)Classificação indicativa: livre20h – AudiodescriçãoNÃO CONTE A NINGUÉM - Francisco J. Lombardi (Peru / Espanha, 120 min, 1998, fic)* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visualClassificação indicativa: 18 anosTeatro do Parque14h O SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)OS SAPATOS DE ARISTEU - René Guerra (Brasil, 17 min, 2008, fic)Classificação indicativa: 16 anos16hTAMBORES DE ÁGUA: UM ENCONTRO ANCESTRAL - Clarissa Duque (Venezuela / Camarões, 75 min, 2008, doc)ALÉM DE CAFÉ, PETRÓLEO E DIAMANTES - Marcelo Trotta (Brasil, 15 min, 2007, doc)TARABATARA - Julia Zakia (Brasil, 23 min, 2007, doc)Classificação indicativa: livre
03/11 - terçaCinema da Fundação Joaquim Nabuco14hYÃKWÁ, O BANQUETE DOS ESPÍRITOS - Virgínia Valadão (Brasil, 54 min, 1995, doc)A ARCA DOS ZO’É - Dominique Tilkin Gallois, Vincent Carelli (Brasil, 22 min, 1993, doc)O ESPÍRITO DA TV - Vincent Carelli (Brasil, 18 min, 1990, doc)Classificação indicativa: livre 16hTAMBÉM SOMOS IRMÃOS - José Carlos Burle (Brasil, 85 min, 1949, fic)Classificação indicativa: livre18hÀ MARGEM DO LIXO - Evaldo Mocarzel (Brasil, 84 min, 2008, doc)Classificação indicativa: livre20hGARAPA - José Padilha (Brasil, 110 min, 2008, doc)Classificação indicativa: 12 anos Teatro do Parque14hSENTIDOS À FLOR DA PELE - Evaldo Mocarzel (Brasil, 80 min, 2008, doc)PUGILE - Danilo Solferini (Brasil, 21 min, 2007, fic)Classificação indicativa: livre16h CRUELDADE MORTAL< - Luiz Paulino dos Santos (Brasil, 92 min, 1976, fic)ESTRELA DE OITO PONTAS - Fernando Diniz e Marcos Magalhães (Brasil, 12 min, 1996, fic/ani)Classificação indicativa: 16 anos 04/11 - quartaCinema da Fundação Joaquim Nabuco14hPRO DIA NASCER FELIZ - João Jardim (Brasil, 88 min, 2006, doc)Classificação indicativa: livre16hCRUELDADE MORTAL - Luiz Paulino dos Santos (Brasil, 92 min, 1976, fic)ESTRELA DE OITO PONTAS - Fernando Diniz e Marcos Magalhães (Brasil, 12 min, 1996, fic/ani)Classificação indicativa: 16 anos 18hDEVOÇÃO - Sergio Sanz (Brasil, 85 min, 2008, doc)PHEDRA - Claudia Priscilla (Brasil, 13 min, 2008, doc)Classificação indicativa: 12 anos 20hTAMBORES DE ÁGUA: UM ENCONTRO ANCESTRAL - Clarissa Duque (Venezuela / Camarões, 75 min, 2008, doc)ALÉM DE CAFÉ, PETRÓLEO E DIAMANTES - Marcelo Trotta (Brasil, 15 min, 2007, doc)TARABATARA - Julia Zakia (Brasil, 23 min, 2007, doc)Classificação indicativa: livre Teatro do Parque14hPRO DIA NASCER FELIZ - João Jardim (Brasil, 88 min, 2006, doc)Classificação indicativa: livre16hHISTÓRIAS DE DIREITOS HUMANOS – vários diretores (diversos países, 84 min, 2008, doc/fic)Classificação indicativa: 16 anos 05/11 - quintaCinema da Fundação Joaquim Nabuco14h – Audiodescrição O SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visualClassificação indicativa: 16 anos 16hO REALISMO SOCIALISTA - Raúl Ruiz (Chile, 52 min, 1973, fic/doc)AGARRANDO PUEBLO (OS VAMPIROS DA MISÉRIA) - Carlos Mayolo, Luis Ospina (Colômbia, 28 min, 1978, fic)Classificação indicativa: 16 anos18hESSE HOMEM VAI MORRER - UM FAROESTE CABOCLO - Emilio Gallo (Brasil, 75 min, 2008, doc)CONTRA-CORRENTE - Agostina Guala (Argentina, 9 min, 2008, fic)PARTIDA - Marcelo Martinessi (Paraguai, 14 min, 2008, fic)Classificação indicativa: 16 anos 20hO SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)OS SAPATOS DE ARISTEU - René Guerra (Brasil, 17 min, 2008, fic)Classificação indicativa: 16 anos * O formato de exibição dos filmes é DVCAM.

IV Mostra Recife de Fotografia


Inscrições abertas para a IV Mostra Recife de Fotografia. Até dia 2 de novembro. As incrições podem ser feitas pessoalmente, via correios ou por internet.Os anexos: regulamento, inscrição pela internet, ficha de inscrição e dicas de produção.Não deixe de participar, divulgue com seus amigos.A Mostra faz parte da 3a. Semana de Fotografia do Recife, que acontece em novembro.--


ProduçãoIII Semana de Fotografia do Recife 15 a 22 de Novembro de 2009semanadefotografia@gmail.com

domingo, 18 de outubro de 2009

O programa Ver TV comemora neste domingo, o Dia Nacional Contra a Baixaria na TV



O programa Ver TV comemora neste domingo, o Dia Nacional Contra a Baixaria na TVNeste domingo, a TV Brasil, às 17 horas, vai exibir o programa Ver TV Especial diretamente da Câmara dos Deputados, em Brasília, para comemorar o Dia Nacional contra a baixaria na TV que, este ano, fará uma reflexão sobre a qualidade na televisão brasileira. Para responder essa questão, a coordenação da campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania” convidou especialistas ligados à comunicação, professores, estudantes, filósofos e psicólogos para indicar uma lista com os cinco melhores programas em exibição na TV aberta.A partir das indicações foi elaborada uma enquete que está disponível para votação no site da campanha. Além disso, a campanha realizou uma pesquisa de opinião na Rodoviária do Plano Piloto em Brasília. Trezentas pessoas foram entrevistadas e opinaram sobre qual é o melhor programa da TV brasileira, dentre os cinco programas. São eles: CQC (Bandeirante); OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA (TV Brasil); RODA VIVA (TV Cultura); ALTAS HORAS (TV Globo) e CASTELO RÁ TIM BUM (TV Cultura).O resultado final dessa enquete só será divulgado durante o programa VER TV de domingo. A campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania” é uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e mais cinco organizações parceiras (Conselho Federal de Psicologia, Fórum Paulista pela Ética na TV, Federação Nacional dos Jornalistas, Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania e Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares das Comunicação). Fica atenta à qualidade da programação televisiva e colabora com a sua melhoria partindo do princípio de que a televisão constitui um importante instrumento na formação da cidadania.O programa Ver TV Especial deste domingo terá ainda a presença dos convidados Diléa Frates (Ex-diretora Programa do Jô), Pedro Guareschi (Filósofo) e da psicóloga Ana Olmos.Para participar e ajudar a eleger o melhor programa da TV brasileira, acesse o site www.eticanatv.org.br .O Ver TV especial vai ao ar neste domingo, dia 18, às 17h, na TV Brasil. O PROGRAMA:O VerTV é único programa de televisão no Brasil que discute o papel da TV na sociedade. No ar desde fevereiro de 2006, o programa cumpre uma das missões da TV pública que é a de promover uma reflexão ampla e aprofundada sobre o próprio veículo. Diante da importância política, econômica, cultural e artística que a televisão tem no Brasil esse tipo de análise torna-se imprescindível. Para isso são convidados especialistas de várias áreas que dialogam semanalmente com artistas, produtores, diretores de programas e jornalistas, entre outros.O VerTV é apresentado pelo jornalista e professor de comunicação Lalo Leal.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Em busca do amor libertário

Em busca do amor libertário
Violência // Pernambuco está no topo de um triste ranking: número de mulheres mortas. Socióloga aponta machismo como uma das causas - Marcionila Teixeira
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/08/30/urbana8_0.asp

No caso dos inquéritos policiais, ela notou que em apenas um deles é reconhecido o crime de gênero, quando tem relação com passionalidade entre os sexos. Os demais apontam que as mulheres são vítimas simplesmente da violência urbana. "As relações existentes entre homem e mulher não são levadas em consideração para a prática do crime. Assim como não é percebida a submissão da mulher na sociedade. O relato trata todos iguais. Se o homem morre por conta da criminalidade, a mulher morre pelo mesmo motivo. O que não é verdade", explicou a socióloga.

Para Luzia Azevedo, a falta de análise dos dados é fruto de um comportamento condicionado. "Se a mulher é morta dentro de casa, pensa-se logo que é crime passional. Se ela morre na boca de fumo, é violência urbana. Nem sempre são olhadas todas as possibilidades. Ela pode ter sido morta em uma boca de fumo por ciúmes também", criticou. A proximidade da vítima com o agressor e o local onde foi morta são, segundo ela, os principais indicadores para se perceber o que ela chama de femicídio, ou seja, morte da mulher em razão do sexo.

De acordo com levantamento do Departamento de Polícia da Mulher, 38% dos assassinatos de mulheres registrados este ano no estado foram passionais. Mas para a socióloga, os números podem ser bem maiores. "Questiono como esse percentual foi construído. Só foram 38% ou há mais casos? A forma como os dados foram construídos representam a realidade?", comentou.

Na opinião de Luzia Azevedo, não basta apenas acrescentar informações de gênero às fontes de dados. "É necessário que a leitura desses indicadores tenha uma perspectiva feminista para se captar de maneira legítima a violência contra a mulher nos crimes investigados pelas instituições policiais", ressaltou. Somente assim, considera, políticas públicas mais eficazes de combate à violência de gênero podem ser postas em prática. "Entre 2004 e 2008, o Observatório da Violência contabilizou que 60% dos agressores de mulheres não foram presos. Não há sentimento de justiça e isso dá direito de matar. Porém, não basta prender o agressor. A mulher precisa de emancipação, acesso ao trabalho, segurança pública, habitação", concluiu.

Medidas Protetivas para a mulher vítima, segundo a Lei Maria da Penha

- Suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente

- Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida

- Proibição de determinadas condutas, entre as quais: aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando limite mínimo de distância entre esses e o agressor; contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação

- Frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida

- Restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar

- Prestação de alimentos provisionais ou provisórios, além de outras medidas previstas sempre que a segurança da ofendida exigir

Sintomas de um parceiro sob suspeita

- Quer ficar íntimo antes mesmo de conhecer melhor a mulher

- É controlador, tem o hábito de bisbilhotar celular, bolsas

- Tem histórico de violência sexual

- Já agrediu a parceira moralmente e fisicamente

- Vigia a parceira

- Tem ciúmes até de membros da própria família

- É chantagista emocional, ameaça se matar se ficar sozinho

- Tem hipersensilibidade e temperamento explosivo

- Se afasta e quer isolar também a parceira do ciclo de amizades

- Tem problemas em relacionamentos anteriores

Números da violência contra a mulher em Pernambuco

- 38,46% dos assassinatos de mulheres este ano tiveram motivação passional

- 279 assassinatos de mulheres foram registrados em 2007 (sendo 165 até julho)

- 283 assassinatos de mulheres foram registrados em 2008 (sendo 161 até julho)

- 171 assassinatos de mulheres foram registrados até julho deste ano

Fonte: Departamento de Polícia da Mulher

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Carta da Saida DO PT




Carta da Saida DO PT


“Caro companheiro Ricardo Berzoini,

Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido objeto de conversa
fraterna entre nós, a reflexão política em que me encontro há algum tempo
e que passou a exigir de mim definições, diante do convite do Partido
Verde para uma construção programática capaz de apresentar ao Brasil um
projeto nacional que expresse os conhecimentos, experiências e propostas
voltados para um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a
sustentabilidade ambiental, social e econômica.

O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos e
companheiros de trajetória política, foi muito ampliado pelo diálogo com
lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, a cujos argumentos e
questionamentos me expus com lealdade e atenção. Não foi para mim um
processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela
emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória
de quase trinta anos, na qual ajudei a construir o sonho de um Brasil
democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços
materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002



Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É
uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora
a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de
que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser
necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e
para a humanidade. Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades,
mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não
desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de
riscos.

Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento
de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam
objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no
crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos
e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os
mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.

Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei
de importantes conquistas, das quais poderia citar, a título de exemplo, a
queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do
sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de
unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que
faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica,
ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do
conjunto das políticas públicas.

É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de
governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários
setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e
pressionam as estruturas públicas para mantê-las.

Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me
por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à
conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil – com
importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional,
provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia,
movimentos sociais, empresas, comunidades locais e as organizações
não-governamentais – é o momento não mais de continuar fazendo o embate
para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos,
mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a
se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo
e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que
sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País. Assim como vem
sendo feito pelo próprio Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no
que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da
justiça social e dos direitos humanos.

Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu,
estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem
dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus
companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses
momentos. E, de modo muito especial, quero me referir aos companheiros do
Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma
parceria indestrutível, acima de filiações partidárias. Não fiz nenhum
movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o
espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou
negando os imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me
dispondo a continuar as semeaduras em outras searas.


Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos. “

Uma Silva sucessora de um Silva?


Uma Silva sucessora de um Silva?

Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a Liberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.
De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas. Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.
Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor? Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muta coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam. Estamos ainda esperando uma vigorosa autocrítica interna a propósito de presumido “mensalação”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.
Em grande parte, o PT viou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.
Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho. Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular. Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmente com referência à reforma agrária e a inclusão estratégica (e não meramente pontual) da ecologia.
Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou. A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade. A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecosissitemas com seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já psssou em 40% de sua capacidade de reposição.
Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológicohumanitá ria de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana. Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.
Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica? É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação, amazônica. Ela também é uma Silva como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva.